CADA UM NO SEU QUADRADO

          O número de ciclistas cresce a cada dia em São Paulo e a metrópole caótica, barulhenta, poluída agradece. Sempre fico pensando o que aconteceria se esses milhares de ciclistas resolvessem também tirar seus carros da garagem, ou pior, resolvessem fazer uso do serviço público de transporte. Faltariam ônibus, vagões de metro e espaço nas ruas. É isso. Não é favor nenhum aos ciclistas a prefeitura construir e manter ciclovias. Somos nós que só temos a agradecer a esses atletas urbanos que enfrentam inúmeros desafios diários para manter uma postura saudável e colaborativa.

         Quisera eu ter pernas e disposição para deixar meu carro em casa e sair de bicicleta. Tenho plena consciência de que um ciclista é muito mais responsável socialmente, do que qualquer motorista. Assim, mesmo me sentindo culpada, ando com meu carro por uma grande avenida que tem uma ciclovia no seu canteiro central. Enquanto penso nos ciclistas, me surpreendo com o número de pedestres andando despreocupados pela via que não lhes pertence. Alguns até batendo papo em dupla ou em trio, lado a lado, impedindo completamente as bicicletas de circularem. Será que eles não entenderam? A rua é dos carros, a ciclovia é das bicicletas e a calçada é dos pedestres. Cada um no seu quadrado. Simples assim.

            Eu sei que as calçadas são mal mantidas e as ciclovias são planas e boas de andar a pé, mas não foram feitas para isso. Quem já andou de bicicleta em uma ciclovia sabe o quanto elas são estreitas e como um pedestre atrapalha. E mamães com carrinhos de bebê então? Acho que falta bom-senso. Existem parques e praças para quem não quer andar nas calçadas. O que ninguém pode é colocar em risco a sua própria vida e a dos ciclistas para poder andar a pé em um lugar planinho.

            Para dificultar ainda mais a vida dos ciclistas, na gestão do atual prefeito, a morte de ciclistas aumentou em 75% devido a muitos fatores. O primeiro é o aumento da velocidade nas marginais. Exatamente para quê isso foi feito? Só para os motoristas poderem correr um pouco mais quando todo mundo já estava acostumado com a velocidade anterior. Uma grande bobagem. Outro fator é que o número de ciclistas cresce, mas a atual prefeitura não constrói ciclovias, principalmente, na periferia, onde os ciclistas normalmente não têm carro e por isso precisam ainda mais desse meio de transporte. Assim, eles andam de bicicleta pela rua dividindo o espaço com os carros que são toneladas mais pesadas do que uma simples magrela. Uma concorrência, no mínimo, desigual. E o pior, muitas ciclovias foram simplesmente apagadas pela atual gestão.

              Em que época esse prefeito vive?

          É como eu disse antes, cada um no seu quadrado. Um empresário que só pensa em ganhar dinheiro, que se preocupa muito mais com o privado do que com o público, não pode ser um gestor público porque estará, com certeza, no quadrado errado.

                                                                                   São Paulo, 05/12/2017