CAMINHO CONFUSO

       Às vezes, o caminho fica confuso. Não é um problema fácil de resolver escolher uma estrada, as opções são muitas e, pensando bem, apesar de ter alguns trechos acidentados e sem luz, todas as estradas são largas, bem pavimentadas e até arborizadas. “Então, qual é o problema?” - você me perguntaria. E ainda diria, já aborrecido com a minha indecisão. “Se todas as estradas são boas, escolhe qualquer uma e vá em frente.”

          Ah! Seria tão bom se fosse simples assim.

      Por mais que as estradas sejam semelhantes, elas não vão chegar ao mesmo lugar. Cada uma tem um destino diferente e, também por mais que eu me esforce para ver as belezas de cada estrada, o que importa mesmo é o destino. Exatamente aí que eu queria chegar. Na bifurcação, não há placa indicativa e muito menos um aplicativo como waze. Não dá pra saber se o caminho está certo ou quanto tempo vai levar. E se o congestionamento for imenso? Ou pior, se tiver caído barreira em algum ponto?

         Quando se tem vinte anos, é fácil empurrar com a barriga a chegada ao destino, mas depois, com o passar dos anos, começamos a nos questionar se sabemos mesmo qual a estrada para aquele destino desejado, ou se teremos fôlego para rodar quilômetros e mais quilômetros sem nenhuma garantia de chegada.

         Está confuso? Eu sei. Mas não sei por que você está tão bravo. Eu disso logo no início que o caminho era confuso. Caminhos são confusos? Claro que não. Somos nós, os confusos.

      Bom, mas vamos voltar à estrada. Escolhi uma, como todo mundo, lá atrás, no século passado. E me parece que a estrada agora ficou repetitiva demais. A paisagem não muda e nem sei se a chegada é mesmo aquela que eu espero. Então, chegamos à bifurcação. Continuo na mesma estrada ou pego à direita ou mesmo à esquerda?

        Olhei bem demoradamente para todos os lados e resolvi, depois de um longo período de inércia, virar à esquerda, a estrada que ninguém esperaria que eu pegasse. Talvez nem eu mesma. Ainda estou andando bem devagarzinho, de vez em quando olho pra trás e me pergunto se, por acaso precisar, se eu posso voltar correndo. Claro que dá medo. Estradas repetitivas e percorridas durante muitos e muitos anos não trazem surpresas, mas estradas novas, ah...são tão novas!!

      Eu deveria agora falar de medo, de indecisão, de coragem, de determinação e de todos os sentimentos contraditórios que brotam do nada quando saímos da zona de conforto e entramos de cabeça em uma zona desconhecida. Porém, essa é só uma crônica e você já deve estar cheio de me ouvir falar dessas tais estradas. Então...vamos apenas dar tempo ao tempo e, se você também estiver em uma bifurcação, quero avisar que não há qualquer garantia de sucesso, mas só existe uma possibilidade de descobrir e você, assim como eu, sabe a resposta.

                                                           São Paulo, 27/12/2017