O NOVO QUE SE TORNA VELHO

            O senhor João Dória, prefeito de São Paulo, chegou à prefeitura com o discurso do novo. Apregoava-se que ele não tinha envolvimento com a corrupção pública, que era sangue novo de empresário disposto até a abrir mão de seu salário para fazer o melhor pela cidade.

                E?

              E nada!! Rapidamente o novo se tornou velho. Como muitos outros velhos políticos acaba de trair seus eleitores, tornando-se candidato a governador. Sem experiência na administração pública, com muito ainda a aprender, a ambição e a sede pelo poder falaram mais alto.  Ele não está preocupado com a população. É só a sua posição política que lhe importa.

              Se um político trai a primeira promessa de campanha que é ir até o fim para o cargo ao qual se candidatou, o que se esperar do resto? Se ele quer deixar a cidade que ele prometeu administrar, cabe a nós não permitirmos isso. É muito simples. Basta não dar a ele nosso voto para governador. Temos de mostrar que não somos mais carneirinhos e aceitamos qualquer ato irresponsável de um gestor público.

               E se isso não bastasse, vamos aos fatos. Em outubro de 2017, o jornal Folha de São Paulo catalogou 118 promessas de campanha de João Dória. Segundo a matéria, só na área de saúde ele prometeu contratar 800 médicos, contratou apenas 161. Prometeu ampliar as unidades de saúde para funcionarem 24 horas, já que as pessoas passam mal à noite também. Não ampliou nenhuma. Prometeu zerar a fila dos exames e zerou mesmo. Só que depois as filas voltaram a crescer. Se alguém tiver uma infecção urinária terá de esperar 89 dias para fazer um exame. O que será que acontece com alguém doente por tanto tempo? E ainda há exames mais demorados.

                Em educação, prometeu abrir creches em terminais de ônibus e metrô. Não abriu nenhuma. Prometeu construir mais CEUS, não entregou nenhum. Prometeu premiar professores que cumprissem as metas. Não premiou nenhum. Prometeu zerar a demanda de 103 mil vagas para as creches, mas só criou 26 novas mil vagas. Onde essas mães estão deixando seus filhos? Talvez o prefeito acredite que não tem nada a ver com isso.

          A cracolândia só mudou de lugar. As prometidas faixas de motociclistas, a manutenção das ciclovias e os ônibus noturnos também desapareceram do radar do agora candidato a governador. E por aí vai. São inúmeras as promessas não cumpridas.

              Não é um jardim vertical na avenida 23 de maio ou um asfalto em zonas nobres da capital que tornam alguém apto a exercer a gestão pública. O gestor é aquele que realmente resolve os problemas mais cruciais da população e resolve permanentemente, não apenas temporariamente para vitrine de palanque. É aquele que se preocupa com os mais necessitados prioritariamente.  É alguém que precisa de experiência para não cometer erros como criar uma “ração” para dar aos estudantes.

              O senhor João Dória não teve meu voto para prefeito e, daqui a alguns anos, se mostrasse uma administração realmente competente, talvez tivesse o meu para outros cargos. Estou sempre disposta a rever minhas opiniões. Mas, com certeza, não será o meu candidato a governador. Será o seu?

                                                                 São Paulo, 20/03/2018