PRA MATAR A SAUDADE

             - Nossa! Foi supimpa!!

       Eu olho assustada. Supimpa voltou à moda? Será que nunca saiu de moda e ninguém me avisou? Quero perguntar para a moça de não mais de vinte e poucos anos que falou aquele supimpa de boca cheia, mas fico com vergonha. Não quero parecer velha. Também quero estar na moda.

         Volto pra casa e não consigo deixar de pensar em todas as palavras que aboli do meu vocabulário. Era um “sarro” poder dizer que algo era um sarro. Mas, obedecendo a uma ordem divina da deusa moda, enterrei o sarro em algum lugar bem fundo. E nunca mais pensei nele, até agora.

      Na mesma cova, deve morar o “bicho”. Não. Não era um bicho de verdade que morreu e foi enterrado. Bicho era todo mundo. Quase consigo ver o “pão” Roberto Carlos fechando os olhinhos e dizendo pro “tremendão”:

          - Bicho, são tantas coisas...

         E também foi o rei da “jovem guarda” que nos ensinou que era o “maior barato” passear no “carango”, “manjou”? “Uma brasa, mora”!

       Provavelmente, você não manjou nada. Vou facilitar e traduzir: e era uma delícia fazer um passeio de carro, entendeu? Realmente, o máximo!

        Agora, vamos levar um “papo firme”: por que as palavras morrem? Fico “grilada” com isso.

        Seria tudo “joia” se novas palavras e expressões fossem aparecendo, mas vivessem em harmonia com as antigas. Mas não. Deixa de ser “maneiro”, fica “brega’. Alguém pode até achar que você é um “goiaba”. E lá vai todo mundo, a cada década, enterrando as palavras que já foram “legais, paca”, só pra parecer “prafrentex”.

      O problema é que, de vez em quando, as pessoas não se “mancam” e acabam cometendo algum deslize que identifica sua idade, “sacou”? E aí não adianta ficar “na fossa”. É, “meu chapa”, sei que é um “trampo” e que seu RG é baixo, mas vai ser “massa” se os “brotos” acharem que você não é “careta”. Assim, vale o esforço e não precisa mais ”fundir a cuca”. Você já faz tantos cursos, mesmo. Consulte um assessor, no mínimo trinta anos mais novo, e faça, anualmente, uma renovação vocabularial. (Gostou? Inventei agora.)

         Siga o meu exemplo, sempre “na crista da onda”, me atualizando. Não é à toa que me chamam de “bidu”. “Daqui, ó”!!!

                                                           São Paulo, 05/06/2018