PRATOS QUE CAEM

           De vez em quando, é preciso deixar os pratos caírem!

          Se suportamos pratos e mais pratos novos a cada dia, muito além da nossa capacidade e resiliência, passamos ao outro a impressão errada. Alguém vai imaginar que estamos lhe autorizando a colocar ainda mais pratos em nossa pilha, já tão difícil de equilibrar.

         Claro que vai fazer barulho, muito barulho. São pratos de tanto tempo acumulados indo ao chão. Mas é bom que o barulho seja quase ensurdecedor para chamar a atenção daqueles que nos oprimem com um peso muito acima do que aguentamos.

          A sujeira, nesse caso, é bem-vinda. Não dá para esconder embaixo do tapete. Cacos grandes cacos pequenos, estilhaços. Está na hora de tudo ir para o lixo e iniciar uma nova pilha de pratos.

         Podemos escolher os pratos. Mais leves, duráveis, coloridos. Com os anos, descobri que muitos pratos não valem a pena. Ocupam espaço, incomodam, pesam nas mãos, nos ombros e na alma.

         A pilha tem de ter robustez, mas também leveza. Deve ser bonita de se ver. Mas, principalmente, deve dar prazer e orgulho para quem a carrega. Quantos pratos deve ter uma pilha, cabe a cada um decidir. Só você pode determinar os limites do equilíbrio. E seus chefes, amigos ou familiares devem respeitar sua pilha, que é do seu jeito, única.

             Simples assim!

         São Paulo, 14/09/2021