A CABANA

          Depois de ter sido recusado por vinte e seis editoras, três amigos se juntaram para montar uma editora e publicar o romance A Cabana do escritor canadense William Young.  Por essa razão, ele foi publicado por uma editora muito pequena nos Estados Unidos, em 2007, para ser vendido pela internet sem qualquer trabalho de divulgação, mas se tornou um fenômeno de público com quase vinte milhões de exemplares vendidos. Ficou em primeiro lugar na lista dos mais vendidos, elaborada pelo jornal New York Times, por quarenta e nove semanas. E foi transformado em filme em 2017.

          Conta a história de um pai de família, o Mackenzie, mais conhecido por Mack, que teve sua filha Missy de seis anos raptada quando ele havia ido acampar com os filhos. Depois do desaparecimento da criança, Mack cai em grande tristeza até que recebe um bilhete assinado por Deus para retornar a uma cabana, perto de onde sua filha havia desaparecido. E claro, ele aceita o convite.

        O livro foi escrito após o autor ter sofrido a perda de sua sobrinha e de seu irmão. Ele também contou em entrevista que sofreu abuso sexual quando tinha quatro anos e que sua relação com o pai é complicada, assim como Mackenzie no livro. Afirmou também que Mack era ele. Mas o que o personagem viveu no livro em um fim de semana foi um processo que William viveu por 11 anos.

       Já na trama, Mack é amigo há muitos anos de Young, e, considerado pelo próprio Young como religioso e que tem dois assuntos prediletos: Deus e a criação. Como o amigo não se considerava apto para escrever a história pediu a ajuda a Young que também não era escritor.

       É difícil classificar A Cabana. Talvez seja um misto de livro religioso, autoajuda e ficção porque, na verdade, ele é um pouco de tudo isso. O próprio autor que é formado em religião diz no prefácio à edição mais recente que quando o livro foi lançado, as pessoas mandavam e-mail comentando que o livro havia chegado no momento certo. Creio que foi  essa necessidade de conforto que fez o sucesso do livro. Todo mundo conhece alguém que perdeu um filho ou outro ente querido e está bravo com Deus, sem compreender como que o ser todo poderoso permitiu que seu filho ou uma pessoa amada morresse ou se afastasse.

        Literariamente não é um grande livro. Em algumas passagens chega a ser piegas e quase doutrinador. Os conceitos religiosos são constantemente lembrados e o autor tenta explicá-los. Nem sempre com sucesso. Não chega a emocionar quem não está vivendo uma situação parecida, mas creio que as pessoas gostam porque fala de coisas que nos tocam como morte, dor, arrependimento, aceitação, etc...

De leitura simples, é um livro para quem está buscando algum conforto.

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=Dv7mrvQjXB0

FICHA TÉCNICA

Título Original – The Shack

Edição Original – 2007

Edição utilizada nessa resenha – 2017

Editora Arqueiro – São Paulo

Número de páginas – 240 (Incluindo fotos do filme)