O AMOR NOS TEMPOS DO CÓLERA

                 O escritor colombiano Gabriel García Márquez, falecido em 2014, é um dos principais autores não somente da América latina, mas de todo o mundo, tendo ganho o Prêmio Nobel de Literatura em 1982. A principal marca da sua escrita vai ser o realismo mágico que influenciou inúmeros outros autores.

          Conhecido pelo apelido de Gabo, começou sua vida profissional como jornalista, tendo sido correspondente internacional na Europa e nos Estados Unidos. É muita famosa uma frase sua em que ele dizia que ser jornalista era a melhor profissão do mundo. Gabo começa a escrever romances na década de 50, mas só quando lança sua principal obra, Cem anos de Solidão, em 1967, é que alcança notoriedade internacional.

               O escritor deixou muitos volumes, sendo Cem Anos de Solidão, o seu livro mais famoso. Entretanto, um livro não tão conhecido, mas de extrema qualidade é O Amor nos Tempos do Cólera, lançado em 1985, quase duas décadas depois do grande sucesso de Cem Anos de Solidão.

                A inspiração para o autor foi justamente a história de amor entre os seus pais. O avô de Gabriel García Márquez não permitiu que aquele que viria a ser seu pai namorasse sua mãe, e mandou a filha para uma viagem para que ela esquecesse o enamorado. Entretanto, o pai de Gabo era telegrafista e conseguiu organizar uma rede nos correios que onde sua amada chegasse, ele era avisado e conseguia lhe mandar um telegrama. Claro que essa ideia foi apenas o ponto de partida para o escritor colombiano que completou o resto da história com todo o seu talento como ficcionista.

                Márquez disse em entrevista que entrevistou o pai e a mãe várias vezes para conhecer a história deles. O irmão do escritor diz que o romance traz vários personagens parecidos com pessoas de sua família, e que, muitas vezes, eles fizeram aposta entre eles para saber quem havia inspirado um ou outro personagem, mas parece que o escritor nunca respondeu à curiosidade familiar.

              Com a história situada em Cartagena, na Colômbia, O Amor nos Tempos do Cólera fala exatamente de um grande amor que sobreviveu durante décadas, mesmo não sendo correspondido. Eram tempos difíceis, tempo do cólera ou da cólera já que esse é um substantivo de dois gêneros e que aceita tanto o masculino, quanto o feminino. Normalmente, no Brasil, usamos apenas o feminino tanto para designar a doença que é a diarreia infecciosa, quanto cólera como sinônimo de raiva.

             A cólera é uma doença que marcou a Colômbia, principalmente no século XIX, quando um surto matou mais de mil pessoas. Mas a doença é apenas um pano de fundo. Esse é um livro sobre o amor em que o escritor faz relação da doença com o amor. Há um trecho em que um homeopata faz seu diagnóstico dizendo: “Os sintomas do amor são idênticos aos da cólera”

            Esse amor é o amor de Florentino Ariza, um rapaz simples que se apaixona perdidamente por Fermina Daza, quando ele tem apenas 19 anos e ela 13 e  que passa a direcionar tudo na sua vida para um dia em que ele possa ficar junto com o grande amor da sua vida, mesmo, como eu já disse antes, sem ser correspondido por ela. Dizendo dessa forma, seria um livro do romantismo, mas García Márquez vai dar características a esse amor, como uma loucura mansa, divertida, sem escorregar para o romantismo enjoativo. Enquanto espera por Fermina, Florentino vive muitas experiências sexuais, trabalha e toca sua vida. Não fica chorando e bebendo em um bar como um personagem do romantismo.

              Já a personagem de Fermina, dividida entre o amor de dois homens, o próprio Florentino e o médico Juvenal Urbino, tem algumas características que também não são das heroínas do romantismo. Fermina é forte, decidida e até um pouco misteriosa, sem contar que parece ser submissa, mas no fundo, só faz o que quer.

           O que é genial no livro é que, mesmo falando de um tema batido como é o amor, Gabo consegue ser muito, mas muito original. Talvez por lhe ser um tema muito querido. Certa vez, em entrevista, ele disse que nunca escreveu nenhuma linha que não fosse sobre o poder e, principalmente, sobre o maior e mais poderoso de todos os poderes que é o amor.

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=LT7Rb3lil2U

FICHA TÉCNICA

Título Original – O Amor nos Tempos do Cólera

Edição Original – El Amor em los Tiempos del Cólera

Edição utilizada nessa resenha – 1995

Editora Record/Altaya - Rio de Janeiro

Número de páginas – 429

 

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