A MULHER DE TRINTA ANOS

     

          

          O livro A Mulher de Trinta Anos do escritor francês Honoré de Balzac é um dos 88 livros que compõem a sua obra chamada A Comédia Humana, uma das maiores obras já escritas.

      A mulher de Trinta Anos, um dos romances mais famosos de Balzac, é composto por seis partes que se assemelham a capítulos, mas que, na verdade, não têm muita fluidez entre um e outro. Algumas informações da história presentes em uma parte são totalmente esquecidas em outra parte, ou alguns dados novos da história não são explicados ao leitor como eles aconteceram. Isso aconteceu porque Balzac foi escrevendo e reescrevendo as partes ao longo dos anos, começando por volta de 1831/32 até uma publicação definitiva em que ele juntou todas as partes em 1842. Porém, o livro ficou famoso não propriamente pela história, mas por retratar com admiração a mulher de mais idade e por dar origem a uma expressão para a mulher mais velha, que passou a ser conhecida como “Balzaquiana”.

        Na verdade, na época em que o romance foi escrito não se pensava que uma mulher de trinta anos pudesse se apaixonar. Isso era um privilégio dado apenas às mais jovens, as moças em idade para se casar, algo entre 15 e 20 anos. O grande mérito do livro foi Balzac ir contra essa ideia, mostrando que uma mulher mais velha, justamente por ser mais experiente, poderia ser muito mais interessante e poderia sim viver um grande amor.

        A história conta como a protagonista chamada Julie, ou Julia na versão em português, contrariando os conselhos do pai, ainda muito jovem resolve se casar com um oficial bonito, mas que não lhe faz feliz e assim rapidamente se arrepende. Mesmo a maternidade não a completa, pois ela acha que a filha Helena é o resultado apenas de uma obrigação como esposa. Mais velha, ela vai se apaixonar perdidamente por outro homem e então é nesse momento que Balzac mostra as diferenças entre uma mulher experiente como Julia e uma moça muito jovem.

        O escritor diz que uma mulher de trinta anos possui atrativos irresistíveis para um rapaz e que a mulher mais jovem apenas cede, já a mulher mais velha escolhe.

        O interessante é que naquela época enquanto a mulher de trinta anos era considerada velha, Balzac chama o homem por quem Julia se apaixona de rapaz, mesmo ele também tendo trinta anos.

        Ao ir mostrando a protagonista desde jovem, passando pelos trinta anos e envelhecendo, Balzac consegue fazer o retrato da sociedade burguesa do século XIX, principalmente, no que diz respeito ao casamento e à posição da mulher.

      Há alguns anos quando a mulher mais velha começou a ficar mais conservada, as pessoas começaram a dizer que a Balzaquiana não era mais a mulher de trinta, mas a de quarenta. Na verdade, à medida que a população vive mais, e as mulheres estão cada vez mais retardando os sinais da velhice, as balzaquianas podem ser de qualquer idade e em qualquer idade despertar o amor de outra pessoa. Ser chamada de balzaquiana jamais seria um insulto para Balzac, mas sim um elogio, já que o escritor francês enxergava a mulher mais velha de uma forma apaixonada.

 

Vídeo-resenha: https://youtu.be/T5tx5MLxiFw

FICHA TÉCNICA

Título Original – La Femme de Trente Ans

Edição Original – 1842

Edição utilizada nessa resenha – 1995

Editora Círculo do Livro – São Paulo

Número de Páginas: 160