ANTIVACINA

          Encontrei uma pessoa que não se vacinou e me declarou que não vai vacinar seu filho.

          Ao invés de ficar com raiva, procuro saber os motivos.

        Como mãe naturista diz que criou seu filho de forma natural e que a criança nunca tomou um remédio industrializado na vida. Só remédios feitos à base de plantas. Por isso não vai vacinar. Respiro fundo e, por mais que tenha vontade de lhe gritar uns impropérios, penso que da minha reação pode depender a saúde ou até mesmo a vida daquela criança. Sou educadora. Preciso educar.

     Com toda paciência do mundo lhe explico que as plantas são excelentes, mas para pequenos males. Não funcionam para prevenir uma doença tão grave quanto a covid. As plantas, nesse caso, não têm qualquer ação preventiva e muito menos curativa, se a criança contrair a doença.

        Ela rebate que as vacinas não são seguras, pois foram criadas em pouquíssimo tempo.

        Do mesmo jeito, traço a história das vacinas, desde a primeira que surgiu no século XVIII para tratar a varíola. Falo das inúmeras vidas que foram salvas e das doenças que foram erradicadas. Se ela duvida, que pesquise os números e veja os casos de doenças que tinham antes e depois de cada vacina. Além disso, as vacinas contra a covid não foram criadas do nada no espaço curto de um ano. Elas têm uma base mais do que conhecida. Essa base só teve de ser adaptada ao novo vírus. E ainda foram testadas em pequenos grupos de humanos e hoje populações enormes já foram vacinadas sem nenhum problema de saúde. Foram bilhões de doses.

          Mas teve um caso sei lá onde de trombose.

        Sim, mas é um em muitos milhões. Mais difícil ter trombose do que ganhar na megasena. O risco é tão pequeno perto do benefício que deve ser desconsiderado.

       Ela continua me olhando desconfiada. Não consigo perceber se mudou de ideia ou não. Pergunto: sua mãe não lhe deu todas as vacinas quando você era criança? Ela responde que sim.

       Então basta! Meu tempo e minha paciência estavam acabando e resolvo que tem horas que a educadora deve ser simplesmente mãe.

         - Pense bem, se seu filho pegar covid, ou mesmo sarampo, caxumba ou qualquer doença evitável e morrer porque você, toda natureba, se recusou a dar a ele a chance de se proteger, como você vai viver com essa culpa que será só sua? Não se vacine se não quiser, mas não faça isso com uma criança. Ela tem o DIREITO e você o DEVER de lhe proteger. O mesmo direito que você teve de se vacinar quando criança.

          Assunto encerrado.

São Paulo, 11/01/2021