COISAS FRÁGEIS

         Coisas Frágeis é o livro de contos de Neil Gaiman que nos Estados unidos e no Reino Unido foi lançado em um único volume, mas aqui no Brasil foi lançado em dois. Não havia necessidade. Tenho a impressão que essa divisão só ocorreu por uma questão comercial. O resultado foi que ficaram dois livros muito pequenos e que em separado quebram a intenção do todo a que o autor pretendeu. E o pior, muita gente lê um volume e sequer sabe que existe outro que o completa. No segundo volume, há também oito poemas que o autor lembra que são de graça, já que você pagou por um livro de contos.

          No prefácio, Gaiman conta a inspiração para cada conto. Se você preferir não saber nada e ter o elemento surpresa, deixe para ler o prefácio depois de ler o conto. Também no prefácio, Gaiman nos conta o porquê do título. Nas suas próprias palavras: “... porque parecia um belo título para um livro de contos. Afinal, existem tantas coisas frágeis. Pessoas se despedaçam tão facilmente, sonhos e corações também.”

          São ao todo 23 contos e o que tem de diferente nos contos de Neil Gaiman? São contos que sempre têm um elemento fantástico, um elemento extraordinário, e ele faz um casamento muito bom entre o real e o extraordinário.

          Às vezes, a narrativa vai em um toque absolutamente normal de cotidiano e, de repente, ela traz o elemento do fantástico. Outras vezes, ele opta pelo fantástico desde o começo. Tem gente que adora os contos de Neil Gaiman e tem gente que já não é tão fã assim. Eu acredito que ele é, como qualquer escritor de contos, irregular. Você não consegue escrever todos os contos, ou um cronista escrever todas as crônicas, que sejam considerados excelentes. Como são narrativas curtas elas se alternam. Isso é normal.

          Já em um romance, a percepção é diferente por se tratar de uma única história. Então, quando você termina a leitura de um romance, você gostou do romance, você tem uma opinião única sobre ele. Só que, com raríssimas exceções, você esquece que o romance também teve algumas “barrigas”, trechos em que a narrativa tornou-se mais cansativa. A mesma coisa acontece em um livro de contos. É muito difícil um livro ter vinte e três contos e todos eles serem excepcionais. Só que, ao contrário do romance, é mais fácil você identificar o conto que você não gostou, do que a parte do romance que você achou mais maçante.

          Coisas Frágeis não foge à regra. Há contos muito bons e outros nem tanto. O meu preferido é O Monarca do Vale que traz o personagem Shadow, o mesmo personagem de Deuses Americanos, o romance de maior sucesso de Neil Gaiman. Na verdade, é um retorno do Shadow já que Deuses Americanos é de 2001 e Coisas Frágeis de 2006.  Gosto bastante também de O Pássaro-do-Sol, pela criatividade, pelo inusitado de uma história sobre um clube criado para se comer exatamente tudo que há para se comer no planeta.

          Claro, que cada pessoa terá seu conto preferido e isso é o mais interessante de um livro de contos: a independência entre eles.

Vídeo-resenha: https://youtu.be/H0UnnEuF4uU

FICHA TÉCNICA

Título Original – Fragile Things

Edição Original – 2006

Edição utilizada nessa resenha – 2010 (2 volumes)

Conrad Editora – São Paulo

Número de páginas – 206(1º volume) - 166(2º volume)