CRIME E CASTIGO

 

        Considerado um dos maiores escritores russos, Dostoiévski, autor de livros imortais como Crime e Castigo, Os Irmãos karamázovi, O jogador, entre outros, não é um autor fácil. Não estou dizendo isso para desanimar a leitura, mas, pelo contrário, para saber que ler Dostoiévski exige uma dose maior de paciência e dedicação para que você não desista.

          Fiódor Dostoiévski nasceu, escreveu e morreu durante o século XIX. Sua linguagem é própria daquela época, além disso, ele é um autor que explora profundamente o lado psicológico de seus personagens. Então há longas passagens em que seus personagens se encontram em dilemas existenciais e são esses dilemas que interessam a Dostoiévski abordar, muito mais do que a história que serve como pano de fundo.

           O escritor russo não teve uma vida fácil. Foi educado, por ordem de seu pai, em uma escola militar de engenharia que ele detestava. Solitário, entregou-se à literatura, lendo obras de Schiller, Dickens e Balzac. Mais tarde, entrou para a militância política e foi envolvido na conspiração que pretendia assassinar o czar russo Nicolau I. Dostoiévski foi condenado à morte e só no último segundo, quando já estava para ser fuzilado, é que chegou a anistia do Czar. Foi então levado preso para trabalhos forçados na Sibéria onde passou 4 anos e depois ainda prestou serviço militar obrigatório.

          Em 1859 foi anistiado e passou a morar em São Petersburgo, dedicando-se à literatura e ao jornalismo. Seu romance Crime e Castigo, de 1866, aborda a história de um estudante de Direito chamado Raskolhnikov. De família pobre, Raskonlhnikov era sustentado com bastante sacrifício em São Petersburgo pela mãe e pela irmã que moravam no interior. Essa situação de dependência lhe deixava extremamente incomodado, mas, ao invés de procurar mais trabalho para conseguir dinheiro, Raskolhnikov foi se deixando levar por um estado depressivo que o levou a abandonar a faculdade e a achar que sua situação não era justa.

          Cada vez mais sem dinheiro, o jovem estudante começou a penhorar as poucas coisas de valor que possuía com uma velha agiota que ele passou a detestar. O valor do penhor que ela pagava era sempre muito inferior ao que ele imaginava e, além disso, ela era uma pessoa mesquinha e desagradável.

Raskolhnikov se achava superior intelectualmente à maioria das pessoas e se perguntava se pessoas superiores como ele não tinham direito a fazer coisas que a grande maioria não faria devido a convenções sociais ou legais. Chegou a escrever um artigo para um jornal defendendo situações em que o crime praticado por pessoas superiores não somente podiam ser praticados como não deveria haver nenhum arrependimento por parte do criminoso. Ele chegava a dividir os indivíduos entre ordinários e extraordinários.

        Alimentado por essas ideias, pela situação de pobreza e pelo ódio crescente à velha agiota, Raskolhnikov mata a velha à machadada sem qualquer grande planejamento e os fatos não se desenrolam tão bem como ele imaginava. E é a partir daí, o que acontece com Raskonikov, o que ele pensa, o que ele sente, as ações que ele toma que o romance se desenvolve.

          Os romances de Dostoiévski costumam trazer as experiências pessoais do escritor para a história. Crime e Castigo traz as dúvidas sobre se é válido se matar alguém para o bem da humanidade, todos os sentimentos que assolam a mente quando se pensa algo parecido, o que nos remete ao possível crime do Czar, em que o escritor russo esteve envolvido. Outro exemplo está em O jogador que conta a história de um viciado em jogos do mesmo jeito que Dostoievsky também o foi.

 

Vídeo-resenha: https://youtu.be/nlHIu6gw4Js

FICHA TÉCNICA

Título Original – Prestuplenie i Nakazanie

Edição Original –  1866

Edição utilizada nessa resenha – 1982

Editora Abril – São Paulo

Número de Páginas – 630 (em dois volumes)