TODAS AS CRÔNICAS DE

      CLARICE LISPECTOR

 

          O livro Clarice Lispector Todas as Crônicas traz a reunião das crônicas escritas para o Jornal do Brasil, Revista Senhor, Jornal Última Hora, além de outras crônicas esparsas, no período de 1946 até 1977, ano de sua morte.

         A palavra crônica está associada à palavra grega “kronos” que significa tempo. Então, a partir daí, já temos uma característica importante desse gênero textual: uma crônica vai estar sempre ligada a um tempo, o tempo em que o cronista escreve.

        A crônica não vai falar dos fatos de uma maneira impessoal, como tenta o jornalismo. Mas, muito pelo contrário. O cronista, na maioria das vezes, coloca a sua opinião sobre o que está escrevendo. E os fatos não precisam ser importantes, pois estes vão ser noticiados pelos jornalistas. A crônica dispõe sobre um fato menor, algo corriqueiro, ou então, será sobre um aspecto diferente de um fato relevante que o cronista vai lançar o seu olhar.

        A escritora Clarice Lispector começou escrevendo  contos e romances e só depois também passou a escrever crônicas. Havia uma série de perguntas que ela mesma se fazia tentando entender a crônica.

       Na crônica, SER CRONISTA, publicada no Jornal do Brasil em 1968, ela se perguntava o que era a crônica: Crônica é um relato? É uma conversa? é o resumo de um estado de espírito? Não sei, pois antes de começar a escrever para o Jornal do Brasil, eu só tinha escrito romances e contos. Quando combinei com o jornal escrever aqui aos sábados, logo em seguida morri de medo.

        Muitas vezes, Clarice dizia que o que ela escrevia nem crônicas eram e preferia chamar de “sua coluna”, a qual podia trazer um texto longo ou vários textos curtos, às vezes, de apenas uma única linha. Ficava um pouco incomodada de ser novata no ofício, e também por estar escrevendo para ganhar dinheiro, como se estivesse vendendo a alma. Mas um amigo seu lhe tranquiliza dizendo que “escrever é um pouco vender a alma”, já que o escritor se expõe o tempo todo.

        Suas crônicas são muito pessoais no sentido de que ela vai falar amplamente sobre seus sentimentos e o que pensa sobre as coisas e os fatos. No início, a escritora dos romances e contos de ficção se assusta de como está sendo pessoal em suas crônicas e recorre ao cronista Rubem Braga que lhe diz que não há outro jeito. A crônica é sempre pessoal.

            As crônicas de Clarice Lispector, mais do que qualquer outro cronista que eu conheça, na sua maioria, fogem ao seu tempo para falar do mais íntimo da escritora. É possível lê-las reunidas em livro com prazer porque não estão irremediavelmente presas aos fatos daquela época, mas traçam um retrato muito completo da escritora de A Hora da Estrela. Na crônica AS TRÊS EXPERIÊNCIAS, Clarice se define:

“Há três coisas para as quais eu nasci e para as quais eu dou minha vida. Nasci para amar os outros, nasci para escrever, e nasci para criar meus filhos. (...) A palavra é meu domínio sobre o mundo.”

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=iQ_gdg9fF4A

FICHA TÉCNICA

Título Original – Todas as crônicas/Clarice Lispector

Edição Original – 2018

Edição utilizada nessa resenha – 2018

Editora Rocco – Rio de Janeiro

Número de Páginas - 704