DE REPENTE, NAS PROFUNDEZAS DO BOSQUE

         

 

 

 

 

 

          Há um antigo ditado que diz que não se deve julgar um livro pela capa. Mas atire a primeira pedra quem nunca fez isso. Quando vemos esse livro do autor israelense Amós Oz, é natural pensar que se trate de um livro infantil. Sua capa traz desenhos que  lembram pipas, e ainda é um livro pequeno com letras grandes e capítulos curtos. Ledo Engano. De repente, nas profundezas do bosque, apesar de também trazer duas crianças como protagonistas, não tem nada de infantil. O próprio Amós Oz o definiu como uma “fábula para todas as idades.”

          Amós Oz que morreu recentemente, no finalzinho de 2018, aos 79 anos, foi o mais importante escritor israelense dos séculos XX e XXI. Na década de 50, havia mudado seu sobrenome de Klausner para Oz, que significa força ou coragem em hebraico, o que já demonstra muito do seu caráter. Sua obra pode ser dividida em duas partes. A primeira, com livros sobre a história de Israel e dos judeus e a segunda, com seus romances de ficção. Ativista político, fundou, em 1970, um movimento pacifista chamado Paz Agora que defendia a criação de dois estados: o israelense e o palestino. E, em virtude dessa posição, foi considerado traidor pelos extremistas israelenses.

        De repente, nas profundezas do bosque é um livro aparentemente simples, mas só aparentemente e é uma boa experiência como primeiro contato com a obra do escritor. Conta a história de uma pequena aldeia, que não se sabe bem onde fica, onde todos os animais desapareceram, até os peixes nos rios, até as aves e os insetos. O que aconteceu para que isso ocorresse é um grande mistério. Os adultos não contam e as crianças, que nunca viram qualquer bicho, não podem perguntar.

         A professora Emanuela é a única que tenta desenhar e ensinar os sons que os bichos faziam e, por isso é ridicularizada pelos pais dos alunos que asseguram que os tais bichos são apenas lendas.

          A aldeia é circundada por um bosque onde as crianças são proibidas de entrar, pois dizem que quem se aventurou, ou nunca mais voltou ou retornou abestalhado. Todos os dias, quando a noite cai, as pessoas se trancam em suas casas com medo de Nehi, o demônio que eles acreditam que vive no bosque. E talvez isso durasse para sempre se um dia, Mati e Maia, duas crianças que queriam saber mais, não decidissem descobrir o que havia no bosque. E então a aventura começa.

         É uma história em que Oz quer discutir preconceito, discriminação e, principalmente, mostrar como é importante ter um espírito independente que pensa por si só e não aceita tudo o que os outros querem impor, pois nem sempre a maioria está certa. A história também reforça  que não se pode ter medo de querer saber a verdade. É para se pensar: será que essa aldeia não nos lembra o estado de Israel com medo dos seus vizinhos?

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=kDphDqbvyfg&t=8s

FICHA TÉCNICA

 

Título Original – Pit’om Beomek Haiaar

Edição Original – 2005

Edição utilizada nessa resenha: 2007

Editora Companhia das Letras – São Paulo

Páginas: 144