DONA FLOR E SEUS DOIS MARIDOS

 

           Dona Flor e seus dois maridos é um dos romances mais famosos da literatura brasileira e uma das principais obras do escritor baiano Jorge Amado. Lançado em 1966, ficou bastante conhecido a partir dos anos 70, quando foi lançado no cinema com Sônia Braga, José Wilker e Mauro Mendonça nos papeis principais. Durante 34 anos, foi o filme brasileiro mais visto, só perdendo essa posição para o filme Tropa de Elite, em 2010. Depois virou minissérie e ainda tornou a ser refilmado.

          A história começa com Vadinho, marido de Dona Flor, morrendo em pleno carnaval, enquanto desfilava vestido de mulher. Essa imagem já nos dá uma boa ideia do personagem Vadinho, o perfeito malandro, jogador, mulherengo, beberrão, que vivia às custas de Flor,  sua mulher, que tem uma escola de culinária. Apesar do marido ser um verdadeiro traste, Flor era apaixonada por ele e sofre muito com a sua morte.

          Como o próprio título do livro já antecipa, Flor vai se casar de novo e o novo marido, chamado Teodoro, é um farmacêutico todo certinho, exatamente o oposto de Vadinho, seu primeiro marido. Enquanto a vida com Vadinho era uma montanha russa com momentos muito bons, mas também muito ruins, a vida com Teodoro é completamente monótona e tediosa.

        O romance de cerca de 400 páginas mostra o dilema de Flor entre dois amores tão diferentes. A própria Flor é uma personagem muito rica, pois traz todas as contradições das mulheres de sua época. Educada por uma mãe controladora e muito ambiciosa, é imposta a ela, muitas restrições, sendo criada para só se casar com um bom partido. Apesar de constantemente vigiada por sua mãe, Dona Rozilda, Flor acaba se apaixonando por um perfeito vagabundo, Vadinho, e fazendo com ele tudo que era proibido pela sua educação rígida. Para não ficar mal falada, acaba finalmente casando-se com ele, para tristeza e raiva de sua mãe. Depois, mesmo viúva e independente de sua mãe, ainda assim Flor se impõe também um comportamento austero, com medo de que os outros fossem pensar, se não fosse uma viúva muito recatada.

          Retratada nos anos 40 em Salvador, que Jorge Amado conhece muito bem, a história também mostra como era a sociedade daquela época e o papel submisso que a mulher tinha. É, ao mesmo tempo, um romance popular que soube conquistar um grande público, mas também um romance muito bem escrito que se utiliza do realismo de uma sociedade provinciana, com uma certa dose de humor e ironia, indo  até o realismo fantástico para criar uma história original.

           É um dos clássicos da literatura brasileira que não pode deixar de ser lido.

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=g1Rv8KGC8MA

FICHA TÉCNICA

Título Original – Dona Flor e Seus Dois Maridos

Edição Original – 1966

Edição utilizada nessa resenha – 1995

Editora Record - Rio de Janeiro

Número de Páginas – 398