E SE...

        As pessoas dizem que sou indecisa. Prefiro acreditar que sou cautelosa. São muitas as possibilidades para qualquer decisão, e o pior é que sempre consigo enxergar ainda mais e mais opções. Por isso demoro a resolver e como demoro.

           Se entro em um restaurante com aquele monte de mesas disponíveis, sempre fico em dúvida sobre qual escolher. Gosto de uma de canto, mas tem aquela perto da janela, a outra que fica no terraço e ainda outra que acredito mais larga e mais confortável.

          Se, determinada, entro em uma loja, pronta para comprar o vestido fantástico que vi na vitrine, gostaria que a vendedora não fosse tão atenciosa e não me trouxesse tantos outros modelos junto com aquele único que parecia tão fácil de escolher. Provo todos, desfilo pro espelho, torno a colocar e acabo comprando muito mais rápido do que eu gostaria, com vergonha da vendedora e, óbvio, sem muita certeza. É assim que inúmeras peças vão parar no fundo do armário para nunca mais saírem.

          Cardápios então, deveriam trazer apenas uma opção, o prato do dia e nada mais. Existem cardápios que não daria tempo de ler inteiros nem que eu tivesse o tempo de duas refeições, quanto mais apenas de uma. Entre a lasanha, o filé e o peixe, todos tão apetitosos, parece-me completamente impossível optar, mas vejo meus amigos escolheram tão rapidamente que, mais uma vez, envergonhada, acabo copiando o pedido de alguém.

        Normalmente, se a compra é importante, começo a escolher sem contar para ninguém, meses antes. Preciso de tempo, muito tempo, para decidir marca, modelo, cor e, claro, preço, porque além de “cautelosa” ainda sou pão-dura.

          Admiro quem toma decisões rápidas e que não se pergunta e se... para qualquer situação. E se eu escolher aquele e esse for melhor, e se eu comprar essa e aquela for muito mais bonita, e se cair melhor, e se for mais prática, e se for de qualidade superior e se...

          Até o título dessa crônica me custou muitos minutos. Eram tantas as opções que, pra facilitar, escolhi o mais óbvio, mas fico pensando, se talvez não seria muito melhor se ela pudesse se chamar indecisão, hesitação, incerteza, dúvida, indeterminação ou ainda cautela, cuidado, precaução, prudência...

           Está bem. Eu me rendo. Sou indecisa mesmo.

                                                           São Paulo, 28/07/2020