LIMONOV

            

          Limonov é o nome do livro do escritor francês Emmanuel Carrère e também o nome do personagem principal que não é um personagem de ficção, mas uma pessoa real que Carrére, inclusive, chegou a conhecer.

          O ucraniano Limonov foi um escritor que gozou de certa fama na França onde viveu, mas seus vários livros tratavam todos do mesmo assunto, ele mesmo. Então um livro vai falar da sua infância e adolescência delinquente na sua pequena cidade que fazia parte da União Soviética, outro livro da vida na França, nos Estados Unidos e assim por diante. Desta forma, Limonov nunca consegue como escritor alcançar o sucesso que ele pretendia e que era quase uma obsessão. Ele estava sempre se comparando aos grandes escritores russos e a impressão que se tem, a partir de suas falas, é que ele se achava melhor do que qualquer um.

          Limonov, que ainda está vivo e reside em Moscou, não é um personagem fácil de retratar porque ele foge de todos os padrões. Ele conta em seus livros as muitas loucuras que ele praticou da forma mais natural e, em um determinado momento, o próprio Carrère conta que ficou em dúvida se Limonov merecia um livro, porque, quando ele abandona a escrita, se torna uma espécie de guerrilheiro com gosto muito mais pela luta armada, seja ela qual for, do que pelo ideal que aquela luta busca alcançar. E quem gosta de luta a esse ponto, não tem muitos escrúpulos em ultrapassar as barreiras da ética.

          Acredito que Carrère consegue passar ao seu leitor um painel que nos ajuda muito a compreender como foi recebido pelo povo o desmantelamento da União Soviética e a chegada do Putin, um até então obscuro general da KGB, ao governo da Rússia. O livro  começa com a seguinte epígrafe que é uma frase de Vladimir Putin: “Quem pretende restaurar o comunismo não tem cabeça. Quem não sente saudades dele não tem coração.” E o livro vai girar muito sobre essa questão do desmantelamento do comunismo que é importante para Limonov.

          Ao mesmo tempo que eu gostei de ter aprendido mais a respeito da antiga União Soviética e da Rússia atual, por outro lado, acho que é necessário ter um repertório maior sobre a história soviética e russa para compreender melhor outras passagens que Carrère cita, sem aprofundá-las.

De escritor a revolucionário que vai preso, as muitas facetas de Limonov são interessantes, mas não é um personagem para se apaixonar. É uma biografia romanceada que, na minha opinião, tem altos e baixos, tornando-se empolgante em certos trechos e cansativa em outros.

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=CsLLf5Zj2qI

FICHA TÉCNICA

Título Original – Limonov

Edição Original – 2011

Edição utilizada nessa resenha – 2013

Editora Alfaguara – Rio de Janeiro

Número de páginas – 342