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         LONGA PÉTALA DE MAR

 

 

             Longa Pétala de Mar é como o poeta chileno Pablo Neruda se refere em um poema, ao seu país. Na verdade, ele diz: Oh Chile, longa pétala, de mar e vinho e neve...

         Se formos pensar no formato do Chile, ele é realmente um país muito comprido, longo e inteiramente banhado pelo Pacífico. É um país à beira da Cordilheira dos Andes, que possui neves eternas, e também é conhecido por suas vinícolas com seu vinho de ótima qualidade. Não lembra uma pétala, mas é uma liberdade poética que demonstra o afeto delicado do poeta por seu país.

          A escritora também chilena Isabel Allende vai usar esse verso para nomear seu último romance, lançado em 2019, e vai começar cada capítulo com um verso de Neruda, isso porque Neruda será um dos personagens do seu livro que é baseado em uma história real.

           A história começa na Espanha, no final de sua Guerra Civil que durou apenas 3 anos, de 1936 a 1939, mas que foi muito sangrenta. A Espanha era governada por um partido de esquerda e os conservadores começaram a se organizar para derrubar o poder. De um lado, os nacionalistas que eram fascistas de direita, e do outro, os comunistas de esquerda. A guerra entre os dois lados foi muito dura, mas os fascistas ganharam e o General Franco assumiu o poder. Ele vai instalar uma ditadura militar que vai durar até 1975, mais de 30 anos, quando muitos espanhóis contrários ao novo regime são perseguidos e mortos.

            Desta forma, quando os militares assumem, os espanhóis simpatizantes do governo anterior, começaram a fugir de seu país, principalmente em direção à França, de carro, a pé, atravessando os Pirineus, da maneira que fosse possível para não serem sumariamente executados pelos militares. É esse governo franquista, inclusive, que vai ser acusado de matar outro grande escritor espanhol, Federico Garcia Lorca.

            O poeta Neruda, que na época tinha apenas 34 anos e era cônsul na França, convence o presidente chileno a receber um grupo de fugitivos. Mesmo com pouco dinheiro, ele consegue fretar um navio chamado Winnipeg e leva milhares de espanhóis para o Chile. É esse navio que está na capa do livro e é nele que embarcam o médico Víctor Dalmau e sua cunhada, a pianista Roser Bruguera. O livro vai contar a vida dos dois no exílio até um outro golpe de estado, dessa vez no país que os acolheu, quando a esquerda do Presidente Salvador Allende é deposta pelos militares que, mais uma vez, instalam outra ditadura sob o comando do general Augusto Pinochet. É como se a história fosse uma longa viagem de uma ditadura a outra.

            Em Casa dos EspíritosEva Luna, primeiros livros de Isabel Allende, já era possível perceber como a política é uma marca na sua escrita, um pano de fundo em vários de seus livros. Seu pai era primo de Salvador Allende e a família de Isabel também teve de fugir do Chile quando houve o golpe de Estado. Desta forma, Isabel sabe retratar muito bem como é a perseguição política dentro de seu próprio país e como é a vida de um exilado.

             Gosto bastante da escrita de Isabel Allende. Com muito talento, ela sempre traz a vida de pessoas comuns em meio a conflitos. O lado humano, pessoal, que muitas vezes a História com H maiúsculo ignora.

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=njvjNMN1x44&t

FICHA TÉCNICA

Título Original – Largo Pétalo de Mar

Edição Original – 2019

Edição utilizada nessa resenha – 2020

Editora – Bertrand Brasil

Número de páginas – 278