LOUCA POR SORVETE

            Não tenho maturidade, equilíbrio ou bom senso quando o assunto é sorvete.

          Claudio, meu amigo sorveteiro, ou Ivã, meu outro amigo sorveteiro, abrem um sorriso quando me veem sentada na areia. Sou, de longe, a melhor cliente de ambos. Supero qualquer criança porque não dependo de pai e mãe pra comprar sorvete. E, quando acaba o dinheiro em espécie, sempre há um bom e querido cartão. Imagine uma criança com um cartão na mão, podendo comprar quantos sorvetes desejar?! Pois bem, essa sou eu.

          Há poucos dias depois de tomar três sorvetes em menos de uma hora, fico um pouco envergonhada e comento com Claudio que acho que sou a pessoa que mais gosta de sorvete que existe. Imagino que, como sorveteiro, ele vai me desmentir, me tranquilizar dizendo que há muitas pessoas como eu. Ledo engano.

          - É mesmo!! Nunca vi alguém que goste tanto assim de sorvete! - ele concorda prontamente.

          Penso em perguntar há quantos anos ele é sorveteiro para ver se há alguma chance de sua vivência não ser assim tão grande a ponto de me colocar em primeiríssimo lugar, mas logo desisto. Lembro-me de que eu já o conheço há mais de dez anos.

          Sorvete, além de ser meu alimento preferido, é o meu afago na alma. Pessoas que já trabalharam ou conviveram comigo sabem que quando tudo fica cinza escuro, e a tempestade se arma no horizonte, eu não compro um guarda-chuva, compro sorvete. Já deixei o escritório escondida, no meio da tarde, para ir tomar sorvete. Sorvete me acalma, clareia as ideias, me dá forças para enfrentar muitas tempestades.

          Às vezes, saio para tomar sorvete e não volto nunca mais, mas isso já é assunto para outra crônica.

     Um amigo psicólogo, quando conto da minha relação com o sorvete, afirma categoricamente que sou carente! Ora, verdade??? Puxa! Jamais poderia imaginar! Engulo a raiva e prometo que assim que ele acabar de falar suas baboseiras, vou tomar o maior banana split que eu encontrar. Só a promessa de muito sorvete me faz permanecer uma pessoa educada, ao invés de mandar que ele vá catar coquinho no meio do asfalto.

          Sorvete é doce, colorido, geladinho e é uma das melhores coisas de minha infância, de minha adolescência e de minha vida adulta. Ah, e se você quiser tomar sorvete comigo é só me convidar. Esse é um convite que eu não recuso. Entre baunilha, crocante e morango podemos falar da vida, sorrir largo e ser feliz! Tem coisa melhor??

São Sebastião, 04/01/2022