MADAME BOVARY

          Quase todo mundo já ouviu falar de Madame Bovary. É um dos livros e dos personagens mais famosos da literatura mundial. Foi escrito pelo escritor francês Gustave Flaubert no século XIX e assustou a sociedade provinciana daquela época porque Madame Bovary era uma adúltera. Claro que o adultério sempre existiu, mas uma sociedade provinciana, burguesa finge que ele não existe, principalmente, se a mulher for aquela que trai o marido. Durante muitos anos, os homens traíram como se isso fosse um direito deles e não uma falta de caráter, mas, no caso da mulher, era considerado um crime. Aliás, mesmo hoje, quase duzentos anos depois, em alguns lugares do Brasil e do mundo, isso ainda acontece.

          Foi um romance tão revolucionário para a época que Flaubert foi processado por ofensa à moral pública e religiosa. Ele foi chamado a depor e durante o julgamento queriam sabe quem era Madame Bovary. Ele respondeu: “Madame Bovary sou eu”.

          A história se passa na região de Rouen, na França, região onde o próprio escritor nasceu e viveu, e, talvez por isso, as pessoas tenham imaginado que a personagem era real. Há alguns boatos que teria sido inspirada em uma história real, mas isso jamais foi comprovado.

         Além de abordar corajosamente um assunto que era um tabu para a época, o grande mérito de Madame Bovary, a meu ver, é a construção da personagem principal, Emma Bovary. Ela é uma romântica que quer viver as aventuras que ela lê nos romances. Ela não se conforma com a vida sem graça que leva com o marido, o simplório médico chamado Carlos, e a filha. E Emma leva isso às últimas consequências, coisa que nenhuma mocinha, personagem do romantismo, faria.

         Não podemos esquecer que o romantismo nas artes e, principalmente, na literatura, era o movimento que liderava na França na primeira metade do século XIX. E a complexidade da Emma está justamente na tentativa frustrada de conciliar a fantasia das histórias que ela ambicionava viver com a sua própria realidade.

          A publicação do livro foi em pequenas partes na Revista de Paris, a partir de 1856, e é justamente esse o momento de ruptura entre o romantismo e a chegada do realismo. Essa é a grande importância desse livro. Ajudar nessa ruptura, fazendo uma crítica à falsidade da sociedade da época e mostrando como o excesso do culto ao romantismo poderia ser danoso.

          Emma, além de adúltera, comprava o que não precisava, levando a sua família a contrair enormes dívidas. Mais uma vez, não podemos esquecer o contexto. Era a França pós-revolução industrial em que a sociedade de consumo estava nascendo e fazendo as pessoas acreditarem que elas precisavam de coisas que realmente não precisavam. Era mais uma crítica social do autor direcionada à burguesia e também aos religiosos que pouco ajudavam seus fieis.

          Madame Bovary, na minha opinião, teve a influência da A Mulher de 30 anos de Balzac, lançado alguns anos antes, e, por sua vez, inspirou outros personagens como a Capitu, de Machado de Assis. Faz parte da galeria dos clássicos imperdíveis e é um excelente retrato da sociedade e da condição da mulher no século XIX.

 

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=xWstaMISw2Q

               

FICHA TÉCNICA

Título Original – Madame Bovary

Edição Original – 1856/57

Edição utilizada nessa resenha – 1981

Editora  Abril - São Paulo

Número de páginas – 260