O FIO DA NAVALHA

       O romance O Fio da Navalha foi publicado em 1944, quase fim da segunda guerra, mas, curiosamente, foi ambientado no fim da 1º Guerra Mundial. A história traz o eterno dilema entre escolher dinheiro, posição privilegiada na sociedade ou arriscar para viver um sonho, um grande amor. Costumo ver algumas críticas literárias que se enganam e acham que o enredo é sobre o pós-guerra do personagem Larry Darrell, um aviador que, ao vivenciar a morte de um colega de guerra tentando salvá-lo, volta para sua cidade, Chicago, completamente diferente de quando partiu, questionando a vida e buscando novos caminhos.

          Esse fato é importante para fazer o contraponto de Larry em relação à sua noiva, aos seus amigos, à sociedade burguesa em que ele estava inserido, mas o romance é maior do que isso. A turma de Larry é composta por jovens nos Estados Unidos pós-guerra, já se destacando como grande potência, até que vem a crise da bolsa de Nova York em 1929, pra mostrar que a riqueza também é frágil e pode, inclusive, ser passageira.

          Larry é noivo de Isabel que, por sua vez, é sobrinha de .Elliot Templeton amigo do personagem narrador. Como em quase todo livro de Somerset Maugham sempre há algo ou muito de autobiográfico. Em O Fio da Navalha, o escritor se apresenta como narrador personagem, inclusive, utilizando seu próprio nome. Logo no início do livro, ele diz que a história é real e que não inventou coisa alguma, só trocou os nomes para não constranger as pessoas. Logo depois, se corrige e diz que como não estava presente em algumas ocasiões tomou a liberdade de pôr nos lábios dos personagens algumas palavras. Tudo para deixar a leitura agradável. E ainda lembra que por ser inglês teve alguma dificuldade em lidar, a maior parte do tempo, com os personagens americanos que compõem a história.

         O título do romance vem de um versículo do Katha Upanishad, que está na epígrafe do livro: "É difícil caminhar sobre o afiado fio de uma navalha; do mesmo modo, diz o sábio, é difícil o caminho da salvação.”

         Acho que essa epígrafe resume bem a história. Estamos o tempo todo escolhendo caminhos, andando pelo fio da navalha. Se escolhemos A, perdemos B, C, D e assim por diante. Sempre há uma perda. O personagem Templeton, tio de Isabel, leva ao extremo sua vida fútil, em que aparência de elegância e riqueza é mais importante do que tudo. Claro, que é um personagem extremado, mas quantos deixam de fazer o que lhes faz feliz, por causa de aparência, por causa de dinheiro? Por outro lado, Larry, o aviador que sai em busca de respostas espirituais também deixa muita coisa para trás. Creio que encontrar o equilíbrio, é conviver com o fio da navalha sem se machucar.

          Como a maioria das obras do escritor inglês Somerset Maughan, é uma obra fácil de ler, que não exige muito de seu leitor, mas que traz aqui e ali, momentos geniais.

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=GTWMBVd4SF0

FICHA TÉCNICA

Título Original – O Fio da Navalha

Edição Original – 

Edição utilizada nessa resenha –

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Número de páginas –