O ARROZ DE PALMA

  

          O Arroz de Palma, do escritor Francisco Azevedo, escrito em 2008, já está na 19ª edição e foi publicado em doze países como Itália, Alemanha, Estados Unidos e França. A história fala basicamente de família. Não é uma família extraordinária, é uma família absolutamente comum que tem suas desavenças, suas separações, suas reconciliações e, talvez por isso, o livro tenha feito tanto sucesso. Inclusive, há várias de suas passagens que, constantemente, circulam pelas redes sociais.

          Francisco Azevedo é carioca, dramaturgo, poeta, roteirista, ex diplomata, e O Arroz de Palma foi seu primeiro romance. Ele conta que os diários escritos na fazenda Santo Antonio da União, no interior do Rio de Janeiro, onde morou durante quatro anos, foram a base do romance, enquanto a fazenda serviu de cenário à trama. O tema família é constante em sua obra. Seus outros dois romances, Doce Gabito e Os Novos Moradores, também falam de família.

          O livro começa com o protagonista e narrador Antonio preparando um almoço ainda de madrugada. Ele tem oitenta e oito anos e começa dizendo que “Família é prato difícil de preparar.” E que, às vezes, dá até vontade de desistir, mas que é preciso coragem, devoção e paciência, pois Família também é prato que emociona.

          Enquanto prepara esse almoço especial que reunirá a família, Antonio revive a sua história e claro, a da sua família. Descendente de imigrantes portugueses, ele lembra desde o casamento de seus pais e a chegada deles, junto com sua tia Palma, ao Brasil. A tia, que viverá com eles durante toda a vida, foi a responsável por catar o arroz que se espalhou pelo chão quando o irmão e a cunhada se casaram e que sendo muito pobre, foi esse o seu  presente de casamento. Por isso, chama-se O Arroz de Palma.

         A mãe de Antonio, ao contrário de seu marido, adorou o presente, e trouxe esse mesmo arroz para o Brasil. O arroz do casamento é o elemento mágico da história que une as pessoas e, surpreendentemente, não se estraga jamais. É claro que, simbolicamente, esse arroz representa o amor que une as pessoas, e que às vezes é motivo de ciúme e discórdia entre familiares, mas que também não se estraga se for bem guardado ou bem distribuído entre todos.

         Antonio também falará de seus irmãos, seus filhos e netos de uma forma muito especial, tentando entender o que aconteceu com cada um.

        Acredito que o grande mérito do livro é chamar a nossa atenção para o dia a dia de uma família e de como pequenas coisas, que tantas vezes nos passam desapercebidas, são importantes. Francisco Azevedo é, sobretudo, um poeta, e a prosa de O Arroz de Palma também é carregada de poesia, de lirismo. A narrativa em primeira pessoa mistura realidade e fantasia, pensamento e ação. Quem não está acostumado, pode se cansar em algum momento, mas creio que vale a pena insistir. O estranhamento tende a se dissipar, à medida que a história avança e há passagens de muita beleza.

Vídeo-resenha: https://youtu.be/FxXuCmW3RQk

FICHA TÉCNICA

Título Original – O Arroz de Palma

Edição Original – 2008

Edição utilizada nessa resenha – 2017

Editora Record – Rio de Janeiro

Número de páginas – 362