O HOMEM DE GIZ

 

 

          Toda vez que um livro fica semanas na lista dos mais vendidos e é o primeiro livro de um autor ou autora desconhecida, isso chama a atenção. Creio que quem trabalha com literatura deve estar atento a novos nomes e foi nesse movimento de descobrir quem era a escritora inglesa C J Tudor que eu li O Homem de Giz, seu primeiro romance.

          O Homem de Giz é um livro de suspense em que houve um assassinato que marcou profundamente a vida de um grupo de crianças que eram amigas. Essas crianças se comunicavam através de um código em que desenhavam com giz. Assim, cada um tinha uma cor de giz diferente e deixavam recados na porta dos amigos usando desenhos feitos a giz.

         Um dia, os desenhos de giz os levaram a encontrar, no parque da cidade, uma moça morta e sem a cabeça, apenas alguns anos mais velha do que eles. Aparentemente, nenhum deles era o responsável pelos desenhos de giz.

          A narrativa é construída em dois momentos que se alternam. No passado, em 1986, quando aconteceu o homicídio, e no presente, 2006, ou seja, há uma diferença de trinta anos entre os acontecimentos. Mas, mesmo anos depois, a cabeça ainda continuava desaparecida e o assassino desconhecido. E a história vai mostrando como o assassinato alterou a vida de todos e como mesmo trinta anos depois, eles ainda querem desvendar o crime.

        Todo livro de suspense costuma ser muito interessante no início em que há muitos fatos novos para o leitor descobrir e depois vai ficando com um ritmo mais lento, ou seja, a primeira parte de um livro de suspense, quase sempre, costuma ser mais interessante. Claro que há exceções, ótimos escritores que conseguem prender a atenção do leitor até o final. Mas, normalmente, o romance de suspense entre em uma linha descendente.

         Entretanto, creio que O Homem de Giz, apesar de ser um livro gostoso e despretensioso, sua autora comete alguns erros próprios de uma iniciante. Tudor abre muitas frentes no livro, esquecendo-se de que o princípio básico de qualquer narrativa é: não escreva sobre aquilo que você não pretende desenvolver ou que não agregam valor à trama principal. Ficam como pontas soltas ou então, o que é o pior, o escritor corre a tentar amarrá-las no final, o que compromete a história. O Homem de Giz é assim. A autora quis dar solução a inúmeras frentes que ela havia aberto desnecessariamente, no fim do livro, e claramente, as soluções encontradas não foram boas.

          É um livro fácil de ler, um entretenimento, mas não mais do que isso. Creio que deva ser lido como um romance de estreia. Dificilmente os melhores romances de um autor são seus primeiros livros. A escrita, como qualquer atividade, tende a melhorar como o tempo e a experiência. Nem Machado de Assis escapou dessa máxima. Mas, de novo, há exceções. Terra Sonâmbula do escritor moçambicano Mia Couto, é sua primeira obra e até hoje considerada a melhor.

          O livro lançado pela editora Intrínseca em capa dura tem uma diagramação bonita, todo em preto e branco remetendo a uma lousa escrita a giz. É um livro simples, uma leitura indicada para um domingo chuvoso.

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=mivrEKB9_ME&t=338s

FICHA TÉCNICA

Título Original – The Chalk Man

Edição Original – 2017

Edição utilizada nessa resenha – 2018

Editora Intrínseca – Rio de Janeiro

Número de páginas – 270