O RETRATO DE DORIAN GRAY

          Primeiro, precisamos entender quem foi o escritor irlandês Oscar Wilde.

        Pense em uma figura muito, mas muito diferente. Homossexual excêntrico, ele usava cabelos compridos e roupas completamente chamativas, coloridas, com motivos florais, em pleno século XIX. Se até hoje no século XXI, ainda tem pessoas que se incomodam com a maneira de ser dos outros, imagine naquela época.

        Muitos atribuem a Oscar Wilde a criação de um movimento estético chamado dandismo, que buscava o belo. O dandismo originalmente se referia a pessoas que se vestiam com extrema elegância. Entretanto, ao se autoproclamar dândi e usar roupas espalhafatosas, o significado original foi desvirtuado. O que se pode afirmar com certeza, é a sua intenção de se utilizar do dandismo na literatura.

            O escritor teve inúmeros problemas por causa de suas relações com jovens rapazes sendo, por isso, inclusive, preso. Na época, foi um grande escândalo. Ao sair da prisão, mudou de nome para tentar recomeçar, mas estava abalado moral e fisicamente, vindo a falecer logo depois.

          Wilde era, principalmente, dramaturgo, sendo que O Retrato de Dorian Gray foi seu único romance. É possível ao longo do livro, percebermos muitas ideias que eram da vida do escritor, como por exemplo, o papel da beleza em jovens. Aliás, ele começa o livro com a primeira frase do prefácio dizendo: “O artista é o criador de coisas belas. E também nesse prefácio, ele frisa: “Um livro não é, de modo algum, moral ou imoral. Os livros são bem ou mal escritos. Eis tudo.” E no final completa. A única desculpa de haver feito um coisa inútil é admirá-la intensamente. Toda arte é completamente inútil.”

          Por essas citações, já é possível deduzir o quanto o escritor era singular e como se preocupava com a questão do belo, do moral ou imoral e do papel da obra de arte. O livro foi muito criticado por ofender as morais e os bons costumes da época e Oscar Wilde teve de defendê-lo muito. Como saiu primeiramente em pedaços em uma revista da época, era censurado pelos editores do jornal, que cortavam vários trechos. Somente quando foi publicado em volume é que Wilde acrescentou esse prefácio para dar uma resposta a críticos e censores, e o romance pode ser publicado na íntegra.

          E por que deve ser considerado tão original? Porque é a história de um rapaz muito bonito, chamado Dorian Gray que tem seu retrato pintado pelo artista Basílio Hallward. O pintor diz que é uma pintura como ele nunca havia feito antes. Que colocou toda sua alma naquela pintura e, por isso mesmo, não quer nem expô-la. Ele não quer nem que ninguém conheça Dorian Gray por quem tem verdadeira adoração.

            Entretanto, o retrato é tão impressionante que chama a atenção do amigo do pintor, o rico Lord Henry que insiste em conhecer Dorian Gray, depois que o pintor fala da importância do rapaz para sua pintura, que chega a ser quase uma dependência para o artista.

Lord Henry vivia um casamento de aparência. Coisa que também aconteceu com Oscar Wilde por algum tempo. E quando conheceu o jovem Dorian Gray também ficou encantado por ele.

          O personagem de Lord Henry tinha uma visão hedonista do mundo. Hedonismo é o movimento que busca acima de tudo o prazer. Sua influência sobre o jovem não foi a melhor, pois no hedonismo não existe, pelo menos não de forma clara, limite ou culpas, o que não funcionava muito bem para um jovem imaturo, como era Dorian Gray.

         É Lord Henry quem faz com que Dorian entenda toda sua beleza e se orgulhe dela, mas, ao mesmo tempo, que também saiba que com o tempo vai perdê-la, o que causa imensa dor a Dorian Gray. Fica com tanta raiva que diz que venderia a própria alma para não envelhecer jamais, especialmente, quando fita o seu retrato que sempre, dali pra frente, seria mais jovem do que ele. Homem e retrato estariam definitivamente, unidos, lembrando ao jovem a sua beleza de outrora.

        É essa relação entre o personagem, o seu retrato e a discussão sobre a beleza que tornam esse livro tão original. É um romance cheio de ideias filosóficas que devemos ler devagar para entender o sentido do que o escritor quer nos passar. Nas entrelinhas, há inúmeras mensagens simbólicas que dizem respeito a nossa vida.

        São muito importante os aforismos do personagem Lord Henry que, muito inteligente, consegue sintetizar uma opinião genial sobre quase tudo. Ele me lembra o próprio escritor, funcionando como seu alterego.

          Foi um livro a frente do seu tempo, censurado, e que causou enorme polêmica.

       É fundamental ler o livro e, se possível, assistir o filme. Enfim, não da pra não conhecer O Retrato de Dorian Gray.

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=bUmOJjVGFL4

FICHA TÉCNICA

Título Original – The Picture of Dorian Gray

Edição Original – 1891

Edição utilizada nessa resenha: 1980

Editora Abril – São Paulo

Páginas: 270