O SOL TAMBÉM SE LEVANTA

          Houve um grupo de escritores americanos que fizeram parte de uma comunidade apelidada de Geração Perdida. Eram escritores que, na sua maioria, lutaram na primeira guerra e depois, com o fim da guerra, foram morar em Paris. Todos eles tinham um tema em comum que predominava em suas obras, que era mostrar a futilidade da elite norte americana. Ernest Hemingway fez parte da geração perdida, apesar dele não ter lutado na guerra. Ele, inclusive, tentou, mas não conseguiu se alistar no Exército por um problema de visão, mas, de qualquer forma, ele foi trabalhar com a Cruz Vermelha, dirigindo ambulância, que era uma maneira de também participar da guerra.

               Hemingway viveu também na Espanha, país que acabou cativando-o e sendo abordado em seus romances. É o caso do livro O Sol também se Levanta que se passa entre Paris e Pamplona e fala da Festa de São Firmino, aquela em que um touro é solto nas ruas. O escritor ficou apaixonado pelas touradas e chegou a tourear de forma amadora. Experiência que ele levou para as páginas de O Sol Também se Levanta, que, junto com os romances Por quem os sinos dobram e O Velho e o Mar são as três obras mais importantes do escritor.

           Além das frases curtas, uma das marcas mais famosas da escrita de Hemingway é a omissão proposital. Deixar de dizer, apenas insinuar e permitir que o leitor conclua, o que ele faz com maestria nesse livro ao sugerir que o personagem principal, o jornalista Jacob Barnes, conhecido como Jake, tenha tido um acidente de guerra que o deixou incapaz sexualmente. O próprio Hemingway falou sobre essa técnica de escrita em entrevista, e comparou a omissão proposital com um iceberg, o que acabou ficando conhecido como a teoria do Iceberg. Ele disse:

“Se um escritor de prosa sabe o bastante sobre o assunto do qual está falando, ele pode omitir coisas que sabe e o leitor, se o escritor está escrevendo de forma verdadeira o bastante, sentirá essas coisas com tanta força como se o escritor as tivesse afirmado. A dignidade do movimento de um iceberg existe porque apenas um oitavo dele está acima d’água. Um escritor que omite coisas porque não as conhece apenas cria lugares vazios na sua escrita”.

           Apaixonado por Brett Ashlei, a impotência de Jake impede ambos de ficarem juntos. A jovem inglesa faz parte dessa geração perdida e fútil. Mesmo sendo apaixonada por Jake, ela não consegue ficar com o jornalista sem uma vida sexual, o que a leva a ter um comportamento completamente desregrado, com muita bebida e inúmeros casos amorosos.

         Na história, Brett, Jake e mais dois amigos vão a Festa de São Firmino na Espanha, experiência também vivida pelo escritor, apenas um ano antes do romance ser lançado em 1926, e da qual ele se utiliza no romance. Muito mais do que a história que é apenas um flash, em um enredo não tão importante, o grande valor desse livro é a construção dos personagens, que são complexos, fúteis, até em certa medida imorais. O escritor consegue retratar com fidelidade uma geração pós-guerra, perdida, sem propósito.

         Hemingway ganhou o prêmio Pulitzer e o Nobel de Literatura, escreveu inúmeros livros de ficção e também de não ficção, mas sofria de depressão e, exatamente como seu pai, se matou com um tiro quando tinha 61 anos.

Vídeo–resenha: https://www.youtube.com/watch?v=RC-5j-ePDa8

FICHA TÉCNICA

Título Original – The Sun Also Rises

Edição Original – 1926

Edição utilizada nessa resenha – 1980

Editora Abril - São Paulo

Número de páginas – 264