OLGA

             No canal e aqui no site temos uma grande maioria de romances, um pouco de crônicas e poesias e hoje eu quero começar a falar de biografia, esse gênero que é pouco consumido aqui no Brasil, mas faz um enorme sucesso no exterior.

         Olga, o livro escolhido para iniciar a série de biografias é de um jornalista famoso, Fernando Morais, que acabou se especializando em escrever biografias. Fernando Morais escreveu, além de Olga, também a vida de Assis Chataubriand, livro conhecido como Chatô, O Rei do Brasil, e também O Mago, que vai ser a biografia de outro escritor famoso no mundo inteiro, Paulo Coelho.

          Olga não é um livro recente, foi publicado em 1985, finalzinho da ditadura no Brasil e refere-se à Olga Benário, a alemã que casou-se com o brasileiro e líder do Partido Comunista Luiz Carlos Prestes. A Olga era uma jovem rica, filha de um advogado alemão famoso, mas, com apenas 15 anos, ela se filia à ala da juventude do Partido Comunista e torna-se uma importante ativista, principalmente, contra o crescimento da extrema direita na Alemanha que vai dar origem ao nazismo.

          Ela era extremamente audaciosa a ponto de resgatar o namorado Braun de dentro de uma cadeia. A partir daí, começou a ser perseguida na Alemanha e acaba fugindo para a União Soviética. Lá, ela foi treinada e recebeu a missão de acompanhar Prestes que também estava na União Soviética, de volta ao Brasil, para que ele liderasse um movimento comunista no país. Os dois se casam apenas para cumprir a missão, mas acabam se apaixonando.

            Como Prestes era conhecido e perseguido no Brasil, eles vão vir para cá, mas têm de ficar escondidos preparando o movimento. Entretanto, os dois acabam presos e Olga é deportada.

          Em biografias, os fatos são amplamente conhecidos e lemos uma biografia justamente porque nos interessamos pela história conhecida e queremos saber mais.

          A escolha de Olga se deu porque é importante resgatar algumas questões como pessoas serem torturadas apenas por terem concepções políticas, ideológicas diferentes. É impressionante como Olga e seus companheiros são torturados, tanto nas prisões brasileiras como nas prisões e campos de concentração alemães. Como se as pessoas não tivessem o direito de pensar diferente, de ter uma posição política diferente. Acho que é um livro atemporal e que a sua riqueza está justamente em mostrar algo que aconteceu de verdade. Não é uma ficção. É uma biografia. Algo que não podemos permitir, de forma alguma, que venha a acontecer novamente.

          O livro, enquanto biografia, tem algumas fragilidades como não trazer detalhes bem particulares e sentimentos de Olga. Isso acontece com frequência quando a pessoa a ser biografada já morreu e também muitos daqueles que a conheceram. Assim, fica muito mais difícil para o escritor resgatar o que pensou ou sentiu a personagem real frente a cada fato. E isso prejudica, pois a biografia não nos envolve tanto, torna-se mais fria.

       Olga tornou-se minissérie na Tv Globo e mais tarde filme e, em ambas as produções, o papel de Olga coube à atriz Camila Morgado que chega a ter até uma semelhança física com a militante comunista.

          É um livro que requer um pouco mais de paciência para ser lido, porque a vida real é quase sempre mais difícil do que a ficção, mas é uma excelente aula de história. 

FICHA TÉCNICA

Título Original – Olga

Edição Original – 1984

Edição utilizada nessa resenha – 1994

Editora Record/Altaya – Rio de Janeiro

Número de páginas – 260