OUTSIDER

          Você sabe a diferença entre um trhiller, um livro de suspense, um livro de mistério e um livro de terror?

         Começando por mistério que é o mais simples, é uma história em que há alguma coisa que precisa ser descoberta. Pode ser um crime, algo que sumiu, e assim por diante. Algo que o leitor não sabe como aconteceu e quer descobrir.

         Um livro de terror é aquela história construída para provocar medo no leitor. Pode ser sobre um crime, uma criatura apavorante, um grande desastre ou uma situação em que os personagens estão constantemente em perigo.

        Tanto em um livro de mistério como em um livro de terror, pode haver suspense, que é o que prende o leitor. O autor vai contando devagarzinho como desvendar o mistério ou acabar com aquilo que aterroriza.

       Já um livro de suspense não precisa necessariamente ter um mistério para ser descoberto ou algo para apavorar o leitor. Por exemplo, um romance que é construído mantendo a expectativa do que vai acontecer no final, como se o casal romântico vai ou não ficar junto, se o atleta vai voltar a competir, pode ser de suspense. Construir um suspense longo não é para qualquer autor, é preciso muito talento para alimentar constantemente o suspense.

     Já um trhiller é uma palavra que não tem tradução no português. O que mais se aproxima do significado é a palavra suspense, mas, mesmo assim, um trhiller é mais do que isso, é uma sequência nervosa como os filmes de Hitchcock. Há suspense, há mistério e há terror tudo junto.

          O escritor americano Stephen King é um mestre do terror. Carrie, a Estranha e O Iluminado são alguns dos seus livros mais conhecidos e que se tornaram também filmes de sucesso. Seu último livro é Outsider. A editora Suma, que também é do grupo da Companhia das Letras, preferiu manter o título original em inglês, o que, apesar de eu ser uma defensora de usar a língua portuguesa sempre, eu considerei uma decisão acertada porque em português não há uma palavra única que consiga traduzir outsider e o título perderia sua força.

         A história se passa em uma pequena cidade do interior do Texas, nos Estados Unidos, onde é encontrado, em um parque, o corpo de um garoto de onze anos morto e brutalmente violentado. Várias testemunhas viram um respeitado professor dar carona para o menino e depois o viram também com suas roupas sujas de sangue. Em virtude dessas provas tão contundentes, o professor e também treinador do principal time de garotos, o Golden Dragons, é preso na frente de toda cidade, durante um jogo. O problema é que o treinador tem um álibi muito bom e o testemunho de outros professores que estavam com ele no momento do crime. Como uma pessoa pode estar ao mesmo tempo em dois lugares? Esse é o ponto de partida para uma investigação que se torna cada vez mais confusa.

          Outsider pode ser claramente dividido em duas partes. Na primeira, ele é um livro de mistério. O importante é descobrir quem matou o garoto, se foi mesmo o treinador e como ele pode ter feito isso se estava aparentemente longe. Na segunda parte, ele é um livro de terror, no qual a história se encaminha para o sobrenatural.

       É interessante, logo no início do livro, a intercalação que Stephen King faz da narrativa com os depoimentos das testemunhas. Isso é importante porque nós vamos saber exatamente o que o detetive Ralph Anderson ouviu e o porquê dele ter tomado as decisões que tomou.

         Creio que um bom livro de mistério sempre nos prende, mas quando é um escritor especialista como é Stephen King que consegue levar a história por caminhos surpreendentes e sempre fazer o leitor acreditar e, logo em seguida, desacreditar, seja nos personagens ou na situação, o livro se torna ainda melhor.

          Outsider vai virar uma minissérie de dez episódios. E deve fazer o mesmo sucesso de outros filmes baseados nos livros de Stephen King.

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=7PZfgOmAyHY

FICHA TÉCNICA

Título Original – Outsider

Edição Original – 2018

Edição utilizada nessa resenha – 2018

Editora Suma – Rio de Janeiro

Número de páginas – 524