UM ANO PARA APRENDER

       

        Nenhuma escola nos preparou para 2020. Aprendemos na marra, na intuição, usando nosso bom-senso e contando com aqueles que estudaram ciência e sabiam um pouco mais do que nós. Mas não foi apenas o esforço diário para evitar ou fugir desse tal covid, inimigo invisível de toda humanidade. Foi aprender a viver em pequenos grupos, a gostar de ficar em casa, a se contentar com a imagem distante de pessoas amadas. Sim, foi um aprendizado valioso.

        Muitos pais ficaram preocupados com o ano letivo, o que pra mim nunca fez muito sentido. As crianças e jovens de hoje vão viver em média 90 ou 100 anos, então, o que é um ano escolar para essa geração? Nada. Perdeu-se o convívio com os colegas, ganhou-se o convívio com irmãos, primos, pais. Perdeu-se atividades escolares, mas vi nas redes sociais, na televisão, inúmeras crianças brincando de roda, jogando antigos jogos de tabuleiro, desenhando, pintando e, pasmem, até aprendendo a cozinhar. São apenas outros aprendizados.

          Tenho pensado que talvez o mundo precisasse mesmo dessa parada assustadora para avaliar o que é realmente essencial. Só lamento tantas perdas de tantas formas.

        Muitas pessoas acreditam que 2020 foi um ano perdido. Não concordo. Muito pelo contrário. Foi um ano de aprender e vivenciar novas experiências. E o que faremos com esse longo e difícil aprendizado é o que deverá dar o tom, não apenas para 2021, mas para o resto de nossas vidas.

        Feche os olhos, deixe a emoção correr solta e a memória voltar a muitos momentos de afeto que aconteceram em 2020. Não ignore as dores, pense nelas como necessárias para você se tornar esse ser humano tão especial que agora lê essa crônica, enquanto eu lhe desejo o  que há de melhor em meu coração.

          Destranque a porta, abra a janela, coloque os óculos, e veja: são 365 novas oportunidades para buscar ser feliz!

           Vai ser fácil? Claro que não! Essa é a graça do jogo.

         E que venha 2021, o ano em que continuaremos a aprender, principalmente, a sorrirmos em dobro, amar em dobro e darmos todos os abraços em dobro.

 

                        São Sebastião, 31 de dezembro de 2020.