UM GOSTO E SEIS VINTÉNS

          Servidão Humana é a obra-prima de Somerset Maughan, mas outro de seus livros muito importante para entender a escrita do autor é Um Gosto e Seis Vinténs, pouco conhecido no Brasil e que foi, em grande parte, inspirado na vida do pintor francês Paul Gauguin.

        O título do livro, bastante diferente, não se tem muita certeza, mas parece que foi retirado de uma carta de 1956 do próprio Maugham em que ele escreveu: " Se você olhar para o chão em busca de seis pence, você não olhará para cima e perderá a lua. "  que é também o que os biógrafos dizem a respeito do pintor Gauguin que sempre pareceu, ao longo da vida, ficar desejando por algo que nunca aconteceu.

      Da mesma maneira como ocorreu em Servidão Humana, mais uma vez, Somerset Maughan usa de suas próprias experiências para escrever Um gosto e seis vinténs. Ele mora em Paris por um ano e convive com muitos artistas que lhe falam de Gauguin. Anos depois, ele faz uma viagem ao Tahiti, onde Gauguin viveu os anos finais de sua vida, e mais uma vez convive com pessoas que conheceram Gauguin e lhe contam muitas histórias sobre o pintor. O escritor pega todos esses relatos, acrescenta uma boa dose de ficção e escreve seu livro.

        O personagem principal que não se chama Gauguin, mas Charles Strickland é um homem atormentado pela necessidade de pintar que larga esposa, filhos, a profissão de corretor para se tornar um pintor. Não é uma personalidade fácil e chega a ser rude na sua busca pela arte. Não se importa com o dinheiro, mas em alcançar um patamar elevado em sua arte.

        Gosto muito do narrador de um gosto e seis vinténs porque ele narra em primeira pessoa, mas não é o personagem principal, o Charles Strickland, ao contrário, ele é um escritor que poderia ser o próprio Maugham. Há um trecho, logo nas primeiras páginas, em que ele está falando do ofício da escrita em que ele diz: “o autor deve buscar sua recompensa no prazer de executar sua obra e na libertação do fardo de seus pensamentos; e, indiferente a tudo o mais, não se importar com elogios ou críticas, fracasso ou sucesso.” Acho que esse conselho vale para todos nós que gostam de escrever e ainda não alcançaram a fama.

       E esse narrador vai contar então um pouco da sua vida também enquanto narra a história de Charles Strickland, que busca desesperadamente produzir uma obra-prima.

Se observarmos a vida de vários artistas, essa busca não é algo que tenha acontecido apenas com Strickland, ou melhor dizendo, com Gaugin. Os grandes artistas parecem nunca se contentar com o que produzem e buscam melhorar mais e mais.

       Um gosto e seis vinténs foi filmado em 1942 e, inclusive, ganhou o Oscar de melhor trilha sonora. É uma leitura prazeroza que não exige muito do leitor, mas, como toda obra de Maughan, tem uma excelente construção de personagem.

Vídeo-resenha: https://www.youtube.com/watch?v=miYQMHt7g3U&t=48s

FICHA TÉCNICA

Título Original – The Moon and Sixpence

Edição Original – 1915

Edição utilizada nessa resenha: 1996

Editora: Record - Rio de Janeiro

Páginas: 234