
Miriam Bevilacqua
Literatura, Comunicação,Educação
CRÔNICA DA SEMANA
TRILHA

Nunca entendi quem faz trilha. Até que entendi!
Fiz uma longa trilha na Chapada dos Veadeiros. Era a minha primeira vez na Chapada, que é realmente linda. Como não havia qualquer informação disponível, entrei em uma trilha sem saber qual o seu tamanho, qual o seu grau de dificuldade, o que exatamente eu iria encontrar no seu final e o mais importante: se valeria a pena. Para completar, não tinha qualquer experiência como trilheira. Entrei no impulso e na vontade.
Embaixo de um calor seco de mais de trinta e cinco graus, descobri no susto que a trilha era longa, estreita, repleta de subidas e descidas íngremes sem qualquer proteção, e bastante perigosa para gente inexperiente como eu. O problema é que você não sabe nada disso no início da trilha e, depois do primeiro desafio, fica imaginando que o pior já passou e que o final está próximo.
Ledo engano! Uma trilha pode ter bem mais do que um único trecho desafiador. Até hoje não sei como eu cheguei na cachoeira, à qual a trilha levava. E o final não é bem final. É preciso voltar e enfrentar a trilha novamente. Se valeu a pena? Não pela cachoeira, que não era muito grande, mas pela experiência única em minha longa vida.
Agora entendo quem gosta tanto de trilha. É uma aventura. Um salto no escuro. É preciso coragem para enfrentar o desconhecido. E, ao final, uma sensação prazerosa de ter se superado.
Você deve estar se perguntando se agora vou me tornar uma trilheira. Claro que não!! Uma experiência como essa já foi o suficiente. Gosto de segurança, de enfrentar desafios claros e conhecidos que caibam dentro de minhas limitações. A essa altura da vida, já me conheço muito bem e sei o que posso e o que não posso fazer. E minha ideia de diversão é muito diferente!
Volto à segurança da areia da praia! De preferência, com uma boa bebida ao lado.
SP 15/09/2026